Adventistas do sétimo dia participavam de um acampamento em Kariba, no Zimbábue, quando receberam a notícia de que a balsa Mbuya Nehanda havia virado no Lago Kariba.
Muitos participantes do acampamento tinham familiares e pessoas queridas a bordo.
“Com as redes sociais repletas de vídeos e imagens do incidente, a maioria dos presentes foi tomada pelo pânico”, contou Rich Isaac Ketani, pastor da igreja local. Os participantes deixaram o local em busca de notícias de seus familiares.
A Mbuya Nehanda, operada pela Agência de Desenvolvimento da Infraestrutura Rural do Zimbábue (RIDA), virou enquanto transportava passageiros e mercadorias para comunidades pesqueiras remotas ao longo da rota Kariba–Chalala. O presidente Emmerson Mnangagwa declarou o incidente uma tragédia nacional, e o governo iniciou uma investigação completa. Pelo menos 97 pessoas morreram, o que torna esse o acidente com embarcação mais fatal da história do Zimbábue. Investigações preliminares apresentadas ao Gabinete de Ministros indicam que a balsa transportava cerca de 180 passageiros, além de mercadorias, excedendo sua capacidade autorizada.
Entre as vítimas estavam pelo menos 18 crianças, incluindo 16 com menos de 10 anos. O capitão da embarcação, Sign Patsikadova, de 59 anos, também morreu.
Segundo o pastor Ketani, a balsa era essencial para as comunidades localizadas às margens do lago. “Ao longo do lago, há vilarejos e acampamentos de pesca. Os moradores desses locais vão à cidade de Kariba para comprar mercadorias e ter acesso a outros serviços. Até mesmo quando seguem para Harare, a capital, eles passam por Kariba utilizando essa balsa, que era um de seus principais meios de transporte.”
Os sobreviventes foram levados para uma estrutura montada na Escola Primária Mahombekombe, em Kariba, onde recebem atendimento médico e psicológico. Líderes adventistas estiveram entre os primeiros a chegar ao local.
“Muitos dos sobreviventes ainda estão em estado de choque e precisam urgentemente de apoio psicológico, pois questionam a Deus sobre por que tiveram de enfrentar uma tragédia como essa”, afirmou o Dr. Morris Mlambo, pastor adventista do sétimo dia que estava no local.
Segundo o pastor Ketani, toda a comunidade de Kariba foi profundamente afetada. “Eles estão muito abatidos e angustiados, pois muitos ainda não conseguem compreender o que aconteceu. Também precisamos entender que alguns nunca frequentaram uma igreja e, por isso, quando enfrentam situações tão difíceis, não sabem a quem recorrer.”
Os líderes da Igreja receberam autorização para realizar sessões estruturadas de apoio psicológico com os sobreviventes nos próximos dias. Segundo o Dr. Mlambo, esse suporte é fundamental após uma tragédia dessa dimensão, quando os sobreviventes enfrentam uma dor intensa e carregam perguntas ainda sem resposta.
A Igreja Adventista do Sétimo Dia, por meio da liderança da União Leste do Zimbábue, da Associação Norte do Zimbábue e do Distrito de Kariba, juntamente com os membros locais, uniu-se à mobilização comunitária, oferecendo apoio psicológico e alimentos aos sobreviventes em Mahombekombe.
“Como vocês sabem, estávamos participando de um encontro campal”, explicou o Dr. Mlambo. “Mas nosso encontro foi transferido e agora acontece aqui, em Mahombekombe.”
As operações de busca e recuperação continuam no Lago Kariba, com a participação de mergulhadores da polícia, militares e pescadores locais.
Ao expressar suas condolências à população de Kariba e de todo o Zimbábue, o pastor Ketani declarou: “Há esperança, mesmo diante da morte.”
O artigo original foi publicado no site de notícias da Divisão Africana do Sul e do Oceano Índico.





